3 Dicas Simples para Viver de VM

Já pensou em você trabalhar só com as lojas e marcas que você gosta, ser reconhecido pelo seu trabalho, ganhar muito bem pelos seus projetos e, enfim, viver de VM? Na foto aí acima, você vê uma verdadeira celebridade do VM, Simon Doonan, embaixador criativo da Barneys New York, tão famoso pelos seus projetos para a luxuosa loja de departamentos americana, quanto pela sua personalidade irreverente. (Se você quiser conhecer mais sobre esse ícone do VM, tem uma entrevista com ele no meu canal do YouTube.) E dentro dessa linha, eu tenho ultimamente, recebido muitas perguntas sobre como eu iniciei minha trajetória e como eu atingi o prestígio e a visibilidade na minha carreira como Visual Merchandiser. Resumindo, como eu faço para viver de VM? Então, resolvi escrever esse texto rápido para compartilhar com você 3 dicas simples que transformaram minha vida profissional e, com certeza, podem transformar a sua também. DICA1: Aprenda a vender o seu trabalho É simples. Aprenda a dar valor ao seu trabalho diante de seus clientes e chefes, a cobrar por ele de forma justa e a dar o devido destaque à sua formação. Já fiz até uma aula aberta, ensinando a minha maneira de cobrar pelos meus projetos, mas essa é apenas uma das partes da equação. Todos os profissionais que hoje são bem sucedidos na área do Visual Merchandising, invariavelmente passaram por este estágio para ter projeção na profissão e eu me incluo aqui. Tanto você como eu precisamos aprender um pouco mais todos os dias para sermos competitivos na nossa área de atuação, mas quando se trata de divulgar e promover nossas competências, precisamos ser um expert no assunto. Porque quando você consegue vender bem seu trabalho no mercado, não é ele que é um sucesso, é VOCÊ que é. DICA 2: Seu trabalho e você são um só Se você quiser viver de VM, pode pensar que ser o melhor profissional desse meio é a certeza que vai lhe abrir todas as portas para o sucesso. Certamente que ser o melhor de todos vai te ajudar, mas pela minha experiência, posso garantir que isso não é tudo. Aprenda a vender seu trabalho e a você também. Seu trabalho e você são um só. Lembra que iniciei esse post trazendo o exemplo de Simon Doonan? Sua técnica e criatividade no VM refletem a pessoa que você é. Valorize sua formação, sua experiência, seu conhecimento e COMUNIQUE isso claramente. A maneira como você se porta, os livros que lê, o que você estuda, seu interesse em estar sempre atualizado com o Visual Merchandising e tudo que se inclui nesse universo (moda, arte, cinema, feira, eventos, viagens, etc.), demonstram diferenciação na sua área de atividade e isso vai ajudar você a atingir o reconhecimento profissional mais rápido. No início pode parecer um pouco assustador ou você pode se sentir até inibido em “se exibir”. Mas revelar seus talentos ao mercado é bem diferente de ser “exibido” e a cada pequena vitória, você fica mais confiante no resultado e descobre que pode fazer mais e mais. DICA 3: Consiga ajuda. Não tente aprender tudo sozinho No início da minha carreira, eu já desperdicei horas e muito dinheiro, tentando fazer tudo sozinha, achando que poderia, até por um certo orgulho. Hoje em tudo que faço, busco por ajuda. Faço cursos, tenho mentores, às vezes simplesmente tomo um café com uma pessoa para ouvir uma outra opinião. E você também, logo que chegar a esse ponto, vai descobrir quanto as suas conquistas podem estar próximas! E aí eu pergunto a você: quando foi a última vez que investiu em si mesmo? Pediu ajuda? Foi atrás de um mentor? Fez um treinamento? Se a resposta for nunca, repense todas as coisas que você está tentando fazer sozinho. Não permita que as barreiras que você mesmo criou interfiram no seu sucesso. Quando você investe em conhecimento, descobre que não há motivo para reinventar a roda, quando você pode aprender com outros que tem mais experiência e, em seguida, aplicar suas habilidades especiais para criar uma carreira – e uma vida – excepcionalmente ricas para você. A verdade é que, durante a sua trajetória profissional no VM, ninguém vai aparecer como num passe de mágica e te dar o código secreto da riqueza, ensinar como conquistar a fama ou alavancar seu negócio. A verdade é que ninguém virá te salvar. Tudo depende de você. Mas eu sei por experiência própria, que focar nas três dicas acima, já pode melhorar radicalmente a qualidade da sua vida como Visual Merchandiser. E, quem sabe, eu possa ajudar a tornar 2018 o melhor ano dos seus Negócios, da sua Profissão, da sua Vida! Não deixe de conferir mais dicas minhas no Instagram e no meu canal no YouTube. Vamos juntos que é mais divertido! 😉 Liziane
Think Pink: a cor na estratégia de varejo das marcas

Coordenação de Cores Ontem fiz uma aula aberta, ao vivo, para falar sobre Coordenação de Cores na Vitrine e comentei que o assunto surgiu pela repercussão desta minha matéria. Sou colunista da Revista Lançamentos e, na edição de número 250, lançada este mês durante a Couromoda, conto um pouco sobre o grande “buzz” do varejo no ano passado: as novas descobertas da ciência sobre a psicologia das cores e o quanto ela influencia o comportamento de compra dos consumidores no varejo. Como eu prometi ontem, durante o Webinário, segue abaixo a matéria na íntegra para você conferir. Muito se falou da inauguração da nova loja da RED Valentino, a marca de difusão da maison italiana Valentino em Londres na Sloane Street, em Chelsea. O espaço de 170 metros quadrados foi projetado pela arquiteta Índia Mahdavi, seguindo o padrão arquitetônico e de visual merchandising da flagship RED Valentino em Roma, ou seja, toda em cor-de-rosa. Embora no salão de vendas e demais ambientes exista mobiliário e acabamentos em tom mostarda, piso e expositores na cor branca e araras e espelhos dourados, a cor predominante é um pálido rosa que cria uma doce atmosfera anos 60. O projeto encanta, mas não deixa de causar uma certa curiosidade o motivo pelo qual uma marca cujo nome é “RED Valentino” (Vermelho Valentino) e que faz referência direta ao icônico tom de vermelho que fez com que Valentino Garavani se tornasse um dos estilistas mais conhecidos do mundo, escolhesse um tom “pink” (cor-de-rosa) para a programação visual de seus pontos de venda. Acontece que a RED Valentino não foi a primeira marca a aderir ao rosa em suas lojas. Desde que a Pantone elegeu o Rose Quartz como a cor de 2016, marcas como Nike, Paul Smith, Acne e Burberry, para citar apenas alguns varejistas famosos, inauguraram novas lojas inteiramente rosas. Mas, o domínio desse tom nos faz pensar, o quanto uma nuance afeta a estratégia comercial de uma marca? E ainda, é uma boa ideia o varejo alinhar-se a uma única cor? Pois de acordo com estudos do Institute of Colour Research (Instituto de Pesquisa das Cores), nos Estados Unidos, a cor é tudo. Através de pesquisas feitas diretamente nos pontos de venda, descobriu-se que entre 62% e 90% das opiniões subconscientes sobre os produtos vendidos no varejo, são baseadas apenas na cor. E uma vez que a psicologia das cores virou peça chave nos negócios, uma nova tendência surgiu no varejo de moda, com foco na tática de adoção de uma “statement color” (cor declaração) como parte fundamental de sua estratégia de marketing. O Institute of Colour Research aponta ainda que a utilização de blocos de uma cor específica, utilizados na decoração e principalmente no VM, é uma maneira eficaz para que as lojas e suas marcas se destaquem da concorrência. A prevalência de uma cor no ambiente ajuda o consumidor a se concentrar imediatamente na sua loja e torna a sua marca mais memorável – especialmente quando há pouco tempo para capturar a atenção dele com as vitrines, como dentro de um shopping center ou em ruas de grande movimento. Assim, não chega a ser uma surpresa que o Pantone Rose Quartz 13-1520 TCX esteja dominando o varejo mundial no momento.
Modelo pop-up é a febre do varejo na Europa

Lojas Pop Up a febre do momento Na minha última coluna, para a Revista Lançamentos, analisei a verdadeira febre que tomou conta do varejo europeu: as pop-up stores. Tomando como exemplo o que vi em Milão no último verão, lojas temporárias aparecem da noite para o dia, em áreas valorizadas de compra e podem ocupar uma garagem, um terraço, um ônibus, uma praia, uma praça e, até mesmo, o local que já foi de outra loja. E o formato temporário, que em outros tempos servia somente para eventos e outlets, agora é capitaneado pelas grandes marcas. E o que nós, no Brasil, podemos aproveitar dessa ideia? Confira abaixo 😉 As lojas temporárias são uma tendência que vem ganhando força no varejo brasileiro, mas são bem mais populares no exterior, onde são vistas como algo estratégico e rentável pelas grandes marcas. Os empresários do varejo italiano, por exemplo, encontraram no formato “pop-up”, uma ótima maneira de estimular as vendas em períodos de liquidação ou, simplesmente, para reforçar a identidade da marca. No último verão em Milão, o fenômeno das temporary stores de moda, localizadas em áreas muito valorizadas da cidade, como Piazza San Babila e no Corso Vittorio Emanuele, não foi algo que pudesse passar despercebido. O conceito de lojas cujo funcionamento tem tempo determinado não é uma novidade na Itália, mas este tipo de comércio, em especial em uma cidade glamurosa como Milão, sempre foi mais restrito a eventos itinerantes ou outlets. O que chama a atenção agora é que são as grandes grifes a adotarem a proposta sem o menor constrangimento, muito pelo contrário, foi o varejo de luxo que lançou a moda. Milão tem o metro quadrado mais caro da Itália e aqui não se pode errar nem no look e nem no business. Em realidade, os aluguéis em caráter temporário são um ótimo negócio para os proprietários destes locais que, de outro modo, não poderiam alugar estes imóveis com um contrato normal de locação. Do mesmo modo, essa tendência também vai de encontro às necessidades daquelas famosas grifes que devem remodelar sua própria loja e procuram um espaço para se transferir por algum tempo, sem abrir mão da grande visibilidade que uma localização privilegiada oferece. Além disso, também é uma ótima opção para marcas não tão famosas que nunca poderiam se permitir alugar uma loja tão grande, em local tão nobre, por causa do custo. Voltando para a nossa realidade de varejo, o formato temporário pode ser uma excelente alternativa num cenário de maior concorrência e menor atividade econômica, como o atual. E não é uma boa oportunidade somente para o lojista. Os shoppings também se beneficiam ao poderem testar marcas diferentes, lucrarem com espaços ociosos de sua estrutura física e movimentar as vendas. Um dos maiores trunfos do modelo pop-up é justamente a dinâmica do tempo limitado: atrair o cliente que passa a ter que visitar a loja antes que ela desapareça.
Coluna Lojista: Liziane comenta vitrine da Gucci

Na coluna da revista Usefashion, mensalmente eu fazia a análise de alguma vitrine de destaque no exterior, do ponto de vista mais técnico, mas sempre procurando traduzir para o lojista o conceito e a importância do VM no varejo. Uma das vitrines que mais gosto é essa da Gucci, cujo comentário segue abaixo. Uma vitrine com nichos de exposição, ou “nichada” na gíria dos profissionais de VM, é uma estratégia de foco máximo no produto, em geral usada quando existem muitos deles expostos na mesma vitrine. Esta elegante proposta da Gucci, em Milão, apostou numa ousada solução que mistura nichos e decoração com painéis verticais, valorizando o impacto visual da composição. Nichos, independente da sua forma, tem alto poder de atração para o olho humano e, neste caso é multiplicado pela sucessão deles lado-a-lado. A disposição em sequência estimula o observador a querer descobrir o que existe exposto entre os painéis. A surpresa é que, nesta vitrine, não são verdadeiros, mas uma ilusão ótica. Os elementos verticais em plexiglass captam atenção do observador, mas revelam apenas a metade do manequim. Para visualizar o look inteiro, é necessário que o observador se mova ao longo da vitrine para ver as mercadorias expostas numa espécie de efeito montion picture espetacular. E confirmando a escolha por uma ambientação de efeito fortemente cenográfico, vale salientar que a iluminação superior da vitrine, originalmente composta por várias lâmpadas de foco dirigido em trilhos, ganhou um “difusor”. Uma placa de policarbonato lisa e levemente escurecida foi pendurada no forro com a intenção de enfraquecer o foco dirigido nas peças, gerando uma iluminação interna quase ambiental e reforçando o efeito de movimento produzido pelos nichos verticais.