Inovação no varejo – o 1º manequim biodegradável do mundo

Quem me segue no Instagram, já sabe que sou a maior fã da Bonaveri, empresa italiana produtora de manequins para o varejo. Mas não qualquer manequim: os melhores. Sempre que me é possível, seja um projeto no exterior ou aqui no Brasil, quando posso, uso Bonaveri. Minha paixão é tamanha que já várias vezes indiquei para quem é VM, mas também vale para todos os interessados no assunto, uma visita ao show-room da Bonaveri em Milão. É uma experiência única, parece muito mais um parque temático do que um show-room e é possível ter uma verdadeira aula sobre os tipos de manequim que existem e quais são mais indicados para cada negócio em particular. Bom, eu fiz faculdade de arquitetura em Milão e foi exatamente na instituição que estudei, no Politecnico di Milano que, desde 2012, a Bonaveri e uma equipe de estudo de engenharia de produção estudava uma maneira de produzir um manequim biodegradável. Para quem não sabe, os manequins rígidos, que generalizamos chamando-os de manequins de “plástico” são feitos de derivados de petróleo. Eles levam uma eternidade para se degradar na natureza (entre 100 e 400 anos) e ainda impactam o meio ambiente com a enorme emissão de CO2 exigida na sua produção, o famoso dióxido de carbono, mais popularmente conhecido como o ultra poluente gás carbônico. Pois no mês passado, a Bonaveri divulgou o lançamento de seu eco-manequim, produzido em BPlast, um material derivado em 72% da cana de açúcar e que recebe o acabamento com uma nova tinta, também desenvolvida pela Bonaveri, 100% de origem vegetal. Assim, quando o eco-manequim chega ao fim de sua vida útil, ele leva cerca de três meses para se degradar completamente na natureza, sem poluir, naturalmente. O novo manequim feito de BPlast foi apresentado como parte do Green Carpet Challenge, um evento anual da Eco-Age em parceria com o BAFTA (British Academy of Film and Television Arts) e o Conselho Britânico de Moda. Para celebrar o lançamento, foi organizada uma incrível exposição de alta costura onde os eco-manequins usavam criações dos estilistas Hubert de Givenchy, John Galliano e Alexander McQueen fornecidos pelo e-commerce William Vintage que só comercializa vestuário vintage e assinado (um luxo!). Sobre o Green Carpet Challenge eu vou falar em outro post porque vale muito a pena, foi um show de exibitécnica, exposição de produtos, além dos incríveis manequins BPlast da Bonaveri e os vestidos grifados deusos, é claro. Deixo aqui para vocês o vídeo de lançamento do eco-manequim.
Acaba hoje! Último dia das vitrines da Louis Vuitton na Printemps

Hoje é o último dia para conferir – e se maravilhar – com as incríveis vitrines da Printemps Haussmann Store, em Paris. Inaugurada em agosto, Louis Vuitton Loves Printemps ficou durante dois meses em exibição na loja de departamentos parisiense e mostrou a mais recente coleção da Louis Vuitton, juntamente com o lançamento de uma linha de fragrâncias exclusivas da LV, criadas especificamente para a parceria. É a primeira vez em 70 anos, que a marca lança uma coleção de perfumes. A mulher por trás desse projeto surpreendente de vitrines, é a diretora de visual merchandising da Louis Vuitton, Faye McLeod. A ideia segundo ela, foi apresentar uma viagem futurista, uma comemoração da feminilidade através de uma fantasia lunar, em um universo cósmico. As vitrines foram transformadas em um espetáculo dentro de uma galáxia longe do planeta Terra, com ambientação composta de camadas de areia, pedras ocre e muita iluminação azul intenso. A ideia foi a repetição do fundo ocre em todas as vitrines, criando paisagens reminiscentes de Marte e do Grand Canyon. Os manequins foram feitos especialmente para esse projeto, criando posições para que pareçam estar flutuando. A partir de amanhã, a Printamps começa a montagem das suas tão esperadas vitrines de Natal. E você? Quer dicas preciosas de como alavancar as vendas com o VM? Baixe o ebook gratuito que montei especialmente para você entender melhor os termos do Visual Merchandising, clicando aqui.
Coluna Lojista: Liziane comenta vitrine da Gucci

Na coluna da revista Usefashion, mensalmente eu fazia a análise de alguma vitrine de destaque no exterior, do ponto de vista mais técnico, mas sempre procurando traduzir para o lojista o conceito e a importância do VM no varejo. Uma das vitrines que mais gosto é essa da Gucci, cujo comentário segue abaixo. Uma vitrine com nichos de exposição, ou “nichada” na gíria dos profissionais de VM, é uma estratégia de foco máximo no produto, em geral usada quando existem muitos deles expostos na mesma vitrine. Esta elegante proposta da Gucci, em Milão, apostou numa ousada solução que mistura nichos e decoração com painéis verticais, valorizando o impacto visual da composição. Nichos, independente da sua forma, tem alto poder de atração para o olho humano e, neste caso é multiplicado pela sucessão deles lado-a-lado. A disposição em sequência estimula o observador a querer descobrir o que existe exposto entre os painéis. A surpresa é que, nesta vitrine, não são verdadeiros, mas uma ilusão ótica. Os elementos verticais em plexiglass captam atenção do observador, mas revelam apenas a metade do manequim. Para visualizar o look inteiro, é necessário que o observador se mova ao longo da vitrine para ver as mercadorias expostas numa espécie de efeito montion picture espetacular. E confirmando a escolha por uma ambientação de efeito fortemente cenográfico, vale salientar que a iluminação superior da vitrine, originalmente composta por várias lâmpadas de foco dirigido em trilhos, ganhou um “difusor”. Uma placa de policarbonato lisa e levemente escurecida foi pendurada no forro com a intenção de enfraquecer o foco dirigido nas peças, gerando uma iluminação interna quase ambiental e reforçando o efeito de movimento produzido pelos nichos verticais.
O que é Visual Merchandising

Como primeiro post aqui do blog, o tema não poderia ser outro: O que é Visual Merchandising? Você sabe o que é? Existem muitas definições, algumas das quais divulgadas por pessoas que bem pouco sabem do assunto, quanto mais da origem do termo e do que realmente trata essa profissão. Assim, resolvi transcrever um texto de minha autoria, escrito em 2008 para uma palestra e workshop na CDL de Porto Alegre, mas que se mantém atualizado mesmo em 2016. Vamos a ele? Em tempos onde produtos e suas marcas assumiram posições icônicas na cultura moderna e com um mercado cada vez mais competitivo, muito se fala – e se usa – o termo Visual Merchandising. Abaixo, uma das muitas definições do assunto: “Em inglês, merchand é mercador. Merchandising, portanto, significa destacar a mercadoria. Enquanto o Marketing explora imagem da empresa como um todo, incluindo logomarca, promoção, distribuição, mídia, tudo enfim, o merchandising é a exposição do produto. Mostrar o produto é fazer merchandising. Merchandising na TV, por exemplo, é colocar o produto no meio de uma cena de novela. Mas existe também o merchandising no ponto de venda, que tem como responsabilidade destacar o produto perante os demais. Assim, outdoors, placas em padarias, ônibus, degustação em supermercados também são ações de merchandising. Tudo o que coloca o produto em evidência é merchandising.” Ronald Peach Jr – Sócio da Oficina do Merchandising Mas existe um gap nesta e na maioria das definições de Merchandising: a MODA. O termo Visual Merchandising não foi popular até os anos setenta e seu vínculo estreito com a indústria da moda, impediu que esta definição se expandisse para outras áreas de exposição de produtos que não fossem as vitrines. Foi preciso uma mulher para tirar o Visual Merchandising de sua conotação unicamente “vitrinística” para uma revolução total como mídia de ponto-de-venda. Em 1974 Candy Pratts tornou-se diretora criativa da Bloomingdales americana e com sua fantástica visão de comunicação visual, ela fez uma verdadeira revolução na indústria ao obrigar o uso deste termo para qualquer estratégia de exposição de produtos em suas lojas. Trocou o termo “vitirnista” por Visual Merchandiser e, pela primeira vez, abriu espaço para que mulheres se tornassem Merchandisers. Até então, acredite, “window dressing” era um terreno absolutamente masculino. Atualmente, Visual Merchandising é multifacetado. Inclui vitrines, arquitetura interna das lojas, manequins, displays, comunicação gráfica, conhecimento da ação do consumidor e, inevitavelmente, uma profunda conexão com a moda e a cultura em nível global. Aos profissionais de Merchandising no Brasil, cabe a tarefa de aperfeiçoamento da técnica e de transmissão do conceito aos empresários do varejo. Quanto mais qualificado for o responsável pelo Visual Merchandising de uma loja, mais aceleradamente o lojista vai entender e valorizar este processo no qual encontram uma fonte ainda maior de receita, giram mais rápido estoques e ainda encantam seus clientes, destacando e promovendo serviços e produtos de forma diferenciada e sedutora. Vitrine é Visual Merchandising, mas Visual Merchandising é um conceito ainda maior que o vitrinismo, é identidade visual.