Vitrines de Natal de Londres PARTE 2 – Harrods faz parceria com a Burberry e apresenta “Um Conto de Fadas Muito Britânico”

A famosa loja de departamento de luxo Harrods revelou suas vitrines do Natal 2016, produzida em colaboração com a marca britânica Burberry, numa parceria que levou nove meses para execução do projeto. As 29 vitrines da Brompton Road retratam o tema “A Very British Fairy Tale” (Um Conto de Fadas Muito Britânico), contando a história de duas crianças que vivem aventuras em uma casa de campo inglesa, repleta com passagens secretas, banheiras flutuantes e carros voadores. Usando tecnologia de ponta, os clientes e visitantes podem interagir com uma telas sensoriais, através do uso de um mecanismo de gatilho de toque e sensor de movimento, onde eles podem experimentar com a iluminação e música das vitrines. “Nosso objetivo, na parceria com a Burberry, é evocar memórias mágicas e sempre duradouras para pais e crianças por meio de nossas vitrines interativas”, diz Alexander Wells-Greco, diretor de Visual Merchandising da Harrods. Diferentemente de outras grandes lojas de departamentos de luxo, essa é a primeira vez em sua história que a Harrods faz uma parceria criativa e comercial com uma marca, para o projeto do VM de Natal. E para celebrar a parceria, também pela primeira vez, a Harrods tem uma árvore de Natal em display do lado de fora da loja. A árvore de seis metros de altura, projetada pela Burberry, ocupa um lugar privilegiado na frente da Porta 5, a Grand Entrance e levou 12 horas para ser instalada. O diretor de Visual Merchandising da Harrods, Alexander Wells-Greco, explicou: “As vitrines de Natal da Harrods, que são 65 no total, foram instaladas em um período de 10 noites por uma equipe de 12 pessoas. “Enquanto um grupo montava as vitrines externamente, uma equipe de 30 VMs vestiram toda a loja no tema criativo correspondente, para garantir que os clientes possam experimentar o “Conto de Fadas Muito Britânico” onde quer que estejam.”
Modelo pop-up é a febre do varejo na Europa

Lojas Pop Up a febre do momento Na minha última coluna, para a Revista Lançamentos, analisei a verdadeira febre que tomou conta do varejo europeu: as pop-up stores. Tomando como exemplo o que vi em Milão no último verão, lojas temporárias aparecem da noite para o dia, em áreas valorizadas de compra e podem ocupar uma garagem, um terraço, um ônibus, uma praia, uma praça e, até mesmo, o local que já foi de outra loja. E o formato temporário, que em outros tempos servia somente para eventos e outlets, agora é capitaneado pelas grandes marcas. E o que nós, no Brasil, podemos aproveitar dessa ideia? Confira abaixo 😉 As lojas temporárias são uma tendência que vem ganhando força no varejo brasileiro, mas são bem mais populares no exterior, onde são vistas como algo estratégico e rentável pelas grandes marcas. Os empresários do varejo italiano, por exemplo, encontraram no formato “pop-up”, uma ótima maneira de estimular as vendas em períodos de liquidação ou, simplesmente, para reforçar a identidade da marca. No último verão em Milão, o fenômeno das temporary stores de moda, localizadas em áreas muito valorizadas da cidade, como Piazza San Babila e no Corso Vittorio Emanuele, não foi algo que pudesse passar despercebido. O conceito de lojas cujo funcionamento tem tempo determinado não é uma novidade na Itália, mas este tipo de comércio, em especial em uma cidade glamurosa como Milão, sempre foi mais restrito a eventos itinerantes ou outlets. O que chama a atenção agora é que são as grandes grifes a adotarem a proposta sem o menor constrangimento, muito pelo contrário, foi o varejo de luxo que lançou a moda. Milão tem o metro quadrado mais caro da Itália e aqui não se pode errar nem no look e nem no business. Em realidade, os aluguéis em caráter temporário são um ótimo negócio para os proprietários destes locais que, de outro modo, não poderiam alugar estes imóveis com um contrato normal de locação. Do mesmo modo, essa tendência também vai de encontro às necessidades daquelas famosas grifes que devem remodelar sua própria loja e procuram um espaço para se transferir por algum tempo, sem abrir mão da grande visibilidade que uma localização privilegiada oferece. Além disso, também é uma ótima opção para marcas não tão famosas que nunca poderiam se permitir alugar uma loja tão grande, em local tão nobre, por causa do custo. Voltando para a nossa realidade de varejo, o formato temporário pode ser uma excelente alternativa num cenário de maior concorrência e menor atividade econômica, como o atual. E não é uma boa oportunidade somente para o lojista. Os shoppings também se beneficiam ao poderem testar marcas diferentes, lucrarem com espaços ociosos de sua estrutura física e movimentar as vendas. Um dos maiores trunfos do modelo pop-up é justamente a dinâmica do tempo limitado: atrair o cliente que passa a ter que visitar a loja antes que ela desapareça.
Vitrines de Natal de Londres PARTE 1 – Fortnum & Mason escolhe o tema “Juntos somos mais felizes”

Vitrines de Natal Com o Natal de 2016 já batendo na nossa porta, aqui no blog vamos dar uma olhada em algumas das vitrines de Natal mais decoradas das ruas de Londres neste inverno. Selecionei detalhes inspiradores de algumas das lojas de departamento mais famosas da capital inglesa. São pormenores da decoração que encantam os nossos olhos, mas que servem também como uma galeria de ótimas ideias para quem ainda não investiu no VM de Natal. E quer dicas de como fazer uma vitrine memorável neste fim de ano? Te dou 15 dicas incríveis no Ebook que você encontra aqui no site, é só baixar, aplicar e arrasar! E para começar essa série em que vou mostrar detalhes das vitrines de grandes magazines londrinos, escolhi a tradicional Fortnum & Mason. A loja de departamentos Fortnum & Mason, ou apenas Fortnum’s para os londrinos, foi inaugurada em 1707 e fica no prestigioso número 181 Picaddilly, próximo ao Piccadilly Circus. Suas vitrines de Natal estão entre as mais aguardadas pelo público e pelos profissionais de visual merchandising. O prédio de esquina conta com 4 andares cheios do que há de mais tradicional e requintado em termos de alimentação, bebidas e presentes. Não é à toa que a loja é fornecedora oficial de vários produtos para a família real há mais de 150 anos! Mas para o Natal de 2016, que acontece depois de 12 meses turbulentos, com eventos como Brexit e as eleições dos EUA dividindo opiniões e dividindo amigos, famílias e até nações, a campanha “Juntos somos mais felizes” (“Together We’re Merrier” no original) da Fortnum celebra a importância da união e encoraja a união de familiares, amigos e até mesmo inimigos no Natal. Uma série de nove histórias detalham as parcerias de clássicos inimigos com resultados encantadores, incluindo The Bull in The China (o touro na loja de cristal), The Polar Bear and The Penguin (o urso polar e o pinguim), The Butcher and The Turkey (o açougueiro e o peru), The Wolf and The Sheep (o lobo e o carneiro) e The Boy and the Brussel Sprouts (o menino e as couves-de-Bruxelas). Cada história, especialmente ilustrada pelo artista Brett Ryder, foi habilmente esculpida em versões 3D, que foram então, pintadas individualmente por artistas de maquiagem de teatro. Uma história secundária acontece sutilmente em cada vitrine, com ratinhos aparecendo em torno dessas esculturas requintadas, fazendo sua própria história de Natal. Zia Zareem-Slade, diretora de experiência do cliente da Fortnum, disse em entrevista: “É um momento de união e celebração e no clima atual, sentimos que essa mensagem nunca foi tão relevante”. E o tema principal, “Juntos somos mais felizes” segue para o interior da loja, na ambientação instore, para dar consistência e contextualizar o VM. No átrio central da loja, os opostos sol e lua se unem na menção a um beijo.
Inovação no varejo – o 1º manequim biodegradável do mundo

Quem me segue no Instagram, já sabe que sou a maior fã da Bonaveri, empresa italiana produtora de manequins para o varejo. Mas não qualquer manequim: os melhores. Sempre que me é possível, seja um projeto no exterior ou aqui no Brasil, quando posso, uso Bonaveri. Minha paixão é tamanha que já várias vezes indiquei para quem é VM, mas também vale para todos os interessados no assunto, uma visita ao show-room da Bonaveri em Milão. É uma experiência única, parece muito mais um parque temático do que um show-room e é possível ter uma verdadeira aula sobre os tipos de manequim que existem e quais são mais indicados para cada negócio em particular. Bom, eu fiz faculdade de arquitetura em Milão e foi exatamente na instituição que estudei, no Politecnico di Milano que, desde 2012, a Bonaveri e uma equipe de estudo de engenharia de produção estudava uma maneira de produzir um manequim biodegradável. Para quem não sabe, os manequins rígidos, que generalizamos chamando-os de manequins de “plástico” são feitos de derivados de petróleo. Eles levam uma eternidade para se degradar na natureza (entre 100 e 400 anos) e ainda impactam o meio ambiente com a enorme emissão de CO2 exigida na sua produção, o famoso dióxido de carbono, mais popularmente conhecido como o ultra poluente gás carbônico. Pois no mês passado, a Bonaveri divulgou o lançamento de seu eco-manequim, produzido em BPlast, um material derivado em 72% da cana de açúcar e que recebe o acabamento com uma nova tinta, também desenvolvida pela Bonaveri, 100% de origem vegetal. Assim, quando o eco-manequim chega ao fim de sua vida útil, ele leva cerca de três meses para se degradar completamente na natureza, sem poluir, naturalmente. O novo manequim feito de BPlast foi apresentado como parte do Green Carpet Challenge, um evento anual da Eco-Age em parceria com o BAFTA (British Academy of Film and Television Arts) e o Conselho Britânico de Moda. Para celebrar o lançamento, foi organizada uma incrível exposição de alta costura onde os eco-manequins usavam criações dos estilistas Hubert de Givenchy, John Galliano e Alexander McQueen fornecidos pelo e-commerce William Vintage que só comercializa vestuário vintage e assinado (um luxo!). Sobre o Green Carpet Challenge eu vou falar em outro post porque vale muito a pena, foi um show de exibitécnica, exposição de produtos, além dos incríveis manequins BPlast da Bonaveri e os vestidos grifados deusos, é claro. Deixo aqui para vocês o vídeo de lançamento do eco-manequim.
Acaba hoje! Último dia das vitrines da Louis Vuitton na Printemps

Hoje é o último dia para conferir – e se maravilhar – com as incríveis vitrines da Printemps Haussmann Store, em Paris. Inaugurada em agosto, Louis Vuitton Loves Printemps ficou durante dois meses em exibição na loja de departamentos parisiense e mostrou a mais recente coleção da Louis Vuitton, juntamente com o lançamento de uma linha de fragrâncias exclusivas da LV, criadas especificamente para a parceria. É a primeira vez em 70 anos, que a marca lança uma coleção de perfumes. A mulher por trás desse projeto surpreendente de vitrines, é a diretora de visual merchandising da Louis Vuitton, Faye McLeod. A ideia segundo ela, foi apresentar uma viagem futurista, uma comemoração da feminilidade através de uma fantasia lunar, em um universo cósmico. As vitrines foram transformadas em um espetáculo dentro de uma galáxia longe do planeta Terra, com ambientação composta de camadas de areia, pedras ocre e muita iluminação azul intenso. A ideia foi a repetição do fundo ocre em todas as vitrines, criando paisagens reminiscentes de Marte e do Grand Canyon. Os manequins foram feitos especialmente para esse projeto, criando posições para que pareçam estar flutuando. A partir de amanhã, a Printamps começa a montagem das suas tão esperadas vitrines de Natal. E você? Quer dicas preciosas de como alavancar as vendas com o VM? Baixe o ebook gratuito que montei especialmente para você entender melhor os termos do Visual Merchandising, clicando aqui.
Kenzo para H&M: uma aula de como expor estampas

Nova York foi palco na noite da última quarta-feira do desfile da coleção Kenzo X H&M, aguardada há meses pelos fashionistas. Famosos por quebrar protocolos, levando um streetwear relaxado à passarela, o duo Carol Lim e Humberto Leon, à frente da direção criativa da marca fundada por Kenzo Takada, recebeu convidados e imprensa em seu showroom para mostrar a nova coleção, onde o carro chefe são as estampas. O que se pôde ver no show room porém, foi mais do que conhecer os novos itens da coleção, mas uma verdadeira aula de como expor estampas no ponto-de-venda. Aqui estamos falando pesado em prints: acessórios, roupas e calçados, tudo colorido e ricamente estampado. A verdade é que, embora encantadores, itens de vestuário estampados podem ser uma dor de cabeça. O que um lojista compra como “aposta da estação” pode facilmente permanecer no estoque além da temporada, se não for exposto corretamente. Exposição de Estampas No dia a dia do varejo, frequentemente o lojista ou sua equipe de vendas procura agrupar todos os itens estampados em um único expositor ou, pior ainda, em uma vitrine. Mas o desastre muitas vezes não para por aí, não é nada incomum que peças com estampas diferentes estejam juntas nas composições (leia-se confusões!). O cliente que vai até suas vitrines, salão de vendas e displays precisam de compreensão de cada item exposto. Você é que tem que dizer-lhes quando e em que ocasião aquela peça poderia ser usada, em que momento ela se encaixaria no guarda-roupa e na vida da pessoa. E a partir dessas “instruções” comunicadas pela técnica expositiva, fazer com que o cliente passe a sentir a necessidade ou desejo de ter o produto. Para que isso ocorra, o VM precisa garantir que cada peça em sua loja, seja contextualizada. É o que se vê, por exemplo, na mesa de destaque do showroom da Kenzo. Todos os itens são estampados, as padronagens e cores são diferentes, mas a abordagem de contextualizar os produtos é usado em toda a exposição, das araras às vitrines.
Coluna Lojista: Liziane comenta vitrine da Gucci

Na coluna da revista Usefashion, mensalmente eu fazia a análise de alguma vitrine de destaque no exterior, do ponto de vista mais técnico, mas sempre procurando traduzir para o lojista o conceito e a importância do VM no varejo. Uma das vitrines que mais gosto é essa da Gucci, cujo comentário segue abaixo. Uma vitrine com nichos de exposição, ou “nichada” na gíria dos profissionais de VM, é uma estratégia de foco máximo no produto, em geral usada quando existem muitos deles expostos na mesma vitrine. Esta elegante proposta da Gucci, em Milão, apostou numa ousada solução que mistura nichos e decoração com painéis verticais, valorizando o impacto visual da composição. Nichos, independente da sua forma, tem alto poder de atração para o olho humano e, neste caso é multiplicado pela sucessão deles lado-a-lado. A disposição em sequência estimula o observador a querer descobrir o que existe exposto entre os painéis. A surpresa é que, nesta vitrine, não são verdadeiros, mas uma ilusão ótica. Os elementos verticais em plexiglass captam atenção do observador, mas revelam apenas a metade do manequim. Para visualizar o look inteiro, é necessário que o observador se mova ao longo da vitrine para ver as mercadorias expostas numa espécie de efeito montion picture espetacular. E confirmando a escolha por uma ambientação de efeito fortemente cenográfico, vale salientar que a iluminação superior da vitrine, originalmente composta por várias lâmpadas de foco dirigido em trilhos, ganhou um “difusor”. Uma placa de policarbonato lisa e levemente escurecida foi pendurada no forro com a intenção de enfraquecer o foco dirigido nas peças, gerando uma iluminação interna quase ambiental e reforçando o efeito de movimento produzido pelos nichos verticais.
O que é Visual Merchandising

Como primeiro post aqui do blog, o tema não poderia ser outro: O que é Visual Merchandising? Você sabe o que é? Existem muitas definições, algumas das quais divulgadas por pessoas que bem pouco sabem do assunto, quanto mais da origem do termo e do que realmente trata essa profissão. Assim, resolvi transcrever um texto de minha autoria, escrito em 2008 para uma palestra e workshop na CDL de Porto Alegre, mas que se mantém atualizado mesmo em 2016. Vamos a ele? Em tempos onde produtos e suas marcas assumiram posições icônicas na cultura moderna e com um mercado cada vez mais competitivo, muito se fala – e se usa – o termo Visual Merchandising. Abaixo, uma das muitas definições do assunto: “Em inglês, merchand é mercador. Merchandising, portanto, significa destacar a mercadoria. Enquanto o Marketing explora imagem da empresa como um todo, incluindo logomarca, promoção, distribuição, mídia, tudo enfim, o merchandising é a exposição do produto. Mostrar o produto é fazer merchandising. Merchandising na TV, por exemplo, é colocar o produto no meio de uma cena de novela. Mas existe também o merchandising no ponto de venda, que tem como responsabilidade destacar o produto perante os demais. Assim, outdoors, placas em padarias, ônibus, degustação em supermercados também são ações de merchandising. Tudo o que coloca o produto em evidência é merchandising.” Ronald Peach Jr – Sócio da Oficina do Merchandising Mas existe um gap nesta e na maioria das definições de Merchandising: a MODA. O termo Visual Merchandising não foi popular até os anos setenta e seu vínculo estreito com a indústria da moda, impediu que esta definição se expandisse para outras áreas de exposição de produtos que não fossem as vitrines. Foi preciso uma mulher para tirar o Visual Merchandising de sua conotação unicamente “vitrinística” para uma revolução total como mídia de ponto-de-venda. Em 1974 Candy Pratts tornou-se diretora criativa da Bloomingdales americana e com sua fantástica visão de comunicação visual, ela fez uma verdadeira revolução na indústria ao obrigar o uso deste termo para qualquer estratégia de exposição de produtos em suas lojas. Trocou o termo “vitirnista” por Visual Merchandiser e, pela primeira vez, abriu espaço para que mulheres se tornassem Merchandisers. Até então, acredite, “window dressing” era um terreno absolutamente masculino. Atualmente, Visual Merchandising é multifacetado. Inclui vitrines, arquitetura interna das lojas, manequins, displays, comunicação gráfica, conhecimento da ação do consumidor e, inevitavelmente, uma profunda conexão com a moda e a cultura em nível global. Aos profissionais de Merchandising no Brasil, cabe a tarefa de aperfeiçoamento da técnica e de transmissão do conceito aos empresários do varejo. Quanto mais qualificado for o responsável pelo Visual Merchandising de uma loja, mais aceleradamente o lojista vai entender e valorizar este processo no qual encontram uma fonte ainda maior de receita, giram mais rápido estoques e ainda encantam seus clientes, destacando e promovendo serviços e produtos de forma diferenciada e sedutora. Vitrine é Visual Merchandising, mas Visual Merchandising é um conceito ainda maior que o vitrinismo, é identidade visual.